An.gús.ti.a

Mil memórias, do passado, derramam-se de uma vez no vazio da existência. É impossibilidade  do mais; divagando na mente e exclamando-se sobre levianas ações. Transformada em fantasma que corrói o presente e invoca um desastroso futuro – um sacrifício temporal. Controlá-la? Ironia, convenha-se. Afastar-se da angústia fazendo uso da mais sublime ironia…um inverno. Ser atacado, sim. Mas contra-atacar também: no coração. Coloca-se uma vontade ao que está bem; ela faz (ou tenta, por assim dizer) levar-nos ao topo do abismo. A fuga, da escuridão e do desconhecido, é o que propicia o sentimento. Terror plausível de silêncio.


Mas estar no topo, bem, permite ao ser acabar com seu sofrimento… Do mais alto ponto, a queda é essencialmente precisa e definitiva. Eis que o ponto crucial é a raiva. Raiva; sentimento violento que perdura e preenche o todo. Utilidade sua é de ser direcionada ao próprio ser – quantas frustrações, quantos medos? Inimigos. Poderosa, permite ao que está morto destruir o que resta de si pairando em vida. Reconstruí-se a vida, eis que. Seu excesso sempre se voltará ao vosso portador. Entretanto, este pode ser utilizado artimanhosamente. É na constante mudança da forma, que o conteúdo em si se faz camuflado: imperceptível. Toma-se um homem e o transforma em destruição. A raiva deve ser considerada de tempos em tempos – como se regasse a árvore de sua existência. Liberada esporadicamente, impedindo o transbordamento do vazio.


ser presencia temporalmente – lê-se, de verões em verões – o desvelar do significado primordial do deixar-de-existir. Nos cemitérios, ou nos hospitais, os olhos atentos percebem a passagem que circundam-nos e, olhando a estes próprios seres, indaga sua presença em locais inócuos… A passagem, a virada,  o devir: coloca por detrás, no interior do real movimento que nos re-leva, a significância da presença. O desvelar é traumático, meu caro leitor. Des-velar. Perante a morte, a senhora dos vivos. Pois aqui se apresente um morto, que por impertinência, permanece em preâmbulos da noite em busca de algo. Este, sim, é o verdadeiro liberto.

“Melhor sentir a dor e sofrê-la do que apreciá-la e aceitar o fim.”, diz-lhe. O vivo, em presentes verões, remete-se ao morto; a raiva ressente os verões desperdiçados. No fim, é a raiva a substância que permite ao morto viver por si. E somente por si, digladiando-se entre existir-aí e o deixar-de-existir.

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