Ironia.

Most men ebb and flow in wretchedness between the fear of death and the hardships of life; they are unwilling to live, and yet they do not know how to die. [1]

Como enfrentar com aquilo que fere a forma? Da essência, eres atacado abertamente. Permites apenas a consolidação da raiva. A velha raiva destitui a forma. Vazia de si mesmo. Um escudo permite uma eterna composição e re-posição; permite a absorção dos ataques. Aparenta-se em um leve “ignorar”, entretanto, apenas permite um ferimento prologando e aprofundado que lentamente lhe consome. A força absorvida é potência. Constrói-se um fluxo: acumulação. De contra-ataques, a ironia lhe permite… dissimular! Pois veja que, enquanto lidamos com esta condição, a ironia é senão a arte de iludir. Não apenas de ti mesmo. O preciso ponto que delineia seu uso é de transpor uma incongruência do próprio ser ao seu discurso. Falai-te, mas dissimule.


Toda a potência se esgota na ironia. Ansiedade perante a angústia. Construídas para um ataque defensivo, mas letal. Sua função é brevemente estabelecida, e de mesmo modo, brevemente dês-estabelecida. O ser-irônico vê sua existência cheia de ignorâncias; o ser-irônico desloca suas impossibilidades à um escudo. Deflete-se o fracasso do conhecer. Um escudo pode se tornar boa opção. O tempo é seu inimigo. Des-uso mundano é seu temor. Uma distância, talvez segura, ele proporciona. A ironia também: sua função é a do “afastar”. A distância segura é imanente da aproximação. Quanto menor, esta distância, mais incisivos são os ataques. Nocividade é, senão, um temor de toda existência. Por si mesma, a ironia se torna a perfeita válvula de escape: ferramente essencial para o deixar-de-existir.


Entretanto, como podes usar um escudo feito através da raiva? A substituição da ironia, a defensiva dissimulação, pela ofensiva raiva é o próximo passo tomado sob tais condições. As distâncias são encurtadas efetivamente; os ataques, previamente interrompidos. Posicionamento do escudo é a grande destreza da defesa, sem este a ironia se corrói através da raiva, sendo esmagada. Talvez então o ponto seja que a ironia nunca pode ser simplesmente ironia. Esta sempre toma por acompanhantes outras demasiadas condições. Age reflexivamente. Ou em outras palavras: re-age. Passivamente estabelece-se como ferramenta e arte. Mas é frágil. A ansiedade que acompanha a existência implica em desvelar o ser: a ansiedade é a única emoção que não é passível de dissimulação. As falsas razões são facilmente fragmentadas… pela raiva. Mas, no final, o que não é? Parece, então, uma incongruência; torna-se ironicamente nada.


  1. Seneca. Moral letters to Lucilius. Letter 4 (On the Terrors of Death), §5.
Advertisements

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out /  Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out /  Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out /  Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out /  Change )

w

Connecting to %s