Imperialismos

1. “Imperialismo: fase superior do capitalismo”, Vladimir Lenin.

Em seu texto, Lenin busca <<decifrar>> as básicas fundamentações de um período de desenvolvimento do capital (e do capitalismo por si), que mescla em sua condição um assentamento geral da classe dominante e uma surgente inquietação nas classes exploradas. Decifrar como as condições do desenvolvimento do capitalismo se faz em um momento que a mundialização extensiva das forças produtivas, das relações sociais, dos meios políticos capitalistas se faz uma regra posta em prática, é o objetivo do texto.

Esta mundialização do capital é dada em uma etapa do capitalismo chamada de Imperialismo. Pode ser caracterizada através de uma cadeia hierárquica que retroativamente determina uma a outra categoria descrita.

A mundialização em si é uma característica intrínseca ao capitalismo, porém sua forma decorrente se faria uma nova mutação das forças exploradoras em delinear sua hegemonia. Em via de regra, podemos caracterizar a mundialização desta forma:

  1. Concentração e centralização de capitais, implicando na formação de monopólios e oligopólios;
  2. Fusão do capital produtivo (industrial) com o bancário, e vice-versa, constituindo o capital financeiro;
  3. Aumento da importância das “exportações de capitais” (IED e empréstimos internacionais), em oposição ao comércio tradicional.

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Páginas de um diário

Afirmai o significado sem antes se atentar ao horizonte do sentido apresentado na clareira do ser. Equivocai-vos. Este significado, o objeto da verdade em si mesma, pode apenas ser captado pelos entes que caminham em direção à esta abertura, esta clareira… No meio da densa plenitude de significados, ela permite o ser a observar a sua própria condição de existência – desprovida de uma autenticidade própria. Sem tal clareira, o ser permite a si mesmo apenas o nada: o emaranhado de significados alheios destituí-o de sua própria essência; transpõe-o na infinitude de entes que o sufocam. Perde-se a essência, querido leitor. Perde-se a verdade. Que servem os significados que lhe são alheios? Postos ao vosso redor, sucumbirão à vossa ira! O ser necessita da verdade… não dos significados. Mas, bah. Escrevas com o sangue da dor, caro leitor, e estarás a escrever sempre com vossa verdadeira natureza. As mãos clamam o fim da angústia; os pequenos pensamentos em aforismas hão de ser descartados em favor de um retorno dialético à prosa em si.


Como sereis conciso ao mesmo tempo que permites a existência de um ‘campo’ de sentidos existir junto a si? Não haverá modo de determinar tal fato, ou permitir que seja apresentada uma resposta. A extensão do pensamento indica um aprofundamento, um certo tipo de paciência em digerir cada frase, cada pensamento. É, decididamente, o fim da angústia e da ansiedade [pelo passado] que permite a criação. Como pensar, se o que é apresentado na abertura se faz na forma de um puro e indestrutível terror? Apenas em rasas frases, amigo, no sentido de curtas e desprovidas de um dado desenvolvimento inteligível… Mas escrever enquanto se é afogado na angústia é, deveras, prazeroso. A dor e o prazer adoram a si mesmas.


O pervertido assume a posição de amigo – do mais perfeito amigo: sua missão, delegada por si à si mesmo, é servir sua condição egótica. Ah, mas com o intuito de aterrorizar o outro. A amizade é apenas sua ferramente para ‘servir’ seu amigo de forma escatológica. Plena destruição. Objetivo de reassegurar sua pretensão à um tipo de reflexiva inferioridade, que pode ser apenas alcançada pelo uso explícito da mentira desconexa. O iludido pensa iludir os outros. Seu ódio pelo que se abre ao ser, pela essência da verdade, é seu combustível. O ‘bom’ e ‘belo’, para este indivíduo em questão, é vossa morte; sua vida, resume-se em fingir morrer. Pretende-se a vida para re-encenar a morte. Farsa em última instância, poesia ulterior. O poeta invoca a fervura do sangue, meu caro.  Este enuncia suas próprias palavras como sendo a reprodução divina do logos; mas mesmo assim, corrompe-as com suas relativas desconstruções deslocalizadas. Consciente disto, ele continua! Um ser-para-a-morte? Não. O poeta é um narcisista – um amante de si, que negativamente reafirma sua própria condição, evidentemente superiora, através do enforcamento da essência… do significado.

Heraclitus of Ephesus

The passing of time takes its toll on the understanding and comprehension of Ancient philosophies. But the rummage…the unconcealment  of what was hidden from our eyes, the recollection of what once was – not of a «commonness» but of an essence of knowledge – always leads us to thinkers of times gone. Should one ponder whether philosophy is nothing but an eternal return to these times, one would realize that this «return» is never wholesome. As a return, it never is fully able to grasp what once was plainly put; nevertheless, it grasps change. Perhaps a misconception, there we shall envision a growing inward discontent in the «beating», as if were, of philosophy, lest we free Chronos to devour past known aspects of human understanding, reason and life.

This article is meant as a stepping stone. That there is no such thing as a finished way to understand Heraclitus, or any other member of the pre-Socratic era, it is to be proposed from such inquiries. Here, and throughout the development of such text, we will dwell into the intrinsic conditions and prepositions of such a system of knowledge that is unveiled before the reading of such philosophers. One should bear in mind that to read the pre-Socratics is to read the actuality of a transition from myth to reason. Be aware. Ancient philosophy ought to be seen differently.

Heraclitus’s taste, and distaste, with his own society led him to turn away from the very public life his peers actively engaged in. Betrayed by the patricians of his city-state, he saw life inside the political realm as the mediation of inflexible opinions. Our philosopher in question, then, decided to lead an isolated life – delivering himself into ironic thinking: distanced and prideful. He developed critical thought according to his way of life. His style was based on maxims – made in such a manner to confuse others, obliging them to stop and listen his own enigmas. He was a master of riddles and of obscurity, reflecting a rebellious condition.

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