Write.

I wondered through certain places, and all I saw were pretenders. Those who are soft to talk, soft to think. Those who think nothing about everything. They read, write and speak: they profess words devoid of any and every meaning. God, how much they talk. Everything is within their grasp. Opinions that are more shallow than their writings. They read, write and speak: they have nothing to show. Despair before the nothingness they uphold. Pretenders that mimic others. Mimesis is art; but they are not artists. Exclude and include aleatory words into their own existence to justify the emptiness that is their reasoning. Now they scream against reason, too. There is nothing to be fulfilled. No duty to be conquered, no meaning to be disputed. Words are nulled under the guise of their suspicion. A disease of this malign individuation, yes. Cynics – with more beliefs than the most radical religious principled person. Hold onto the justification of your very own position of significance; thrive towards a pretentious self-satisfying institutional recognition. But never forget: do that in the name of something. Something that isn’t a God or many Gods. You are a pretender, after all. Continue reading →

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Páginas de um diário

Afirmai o significado sem antes se atentar ao horizonte do sentido apresentado na clareira do ser. Equivocai-vos. Este significado, o objeto da verdade em si mesma, pode apenas ser captado pelos entes que caminham em direção à esta abertura, esta clareira… No meio da densa plenitude de significados, ela permite o ser a observar a sua própria condição de existência – desprovida de uma autenticidade própria. Sem tal clareira, o ser permite a si mesmo apenas o nada: o emaranhado de significados alheios destituí-o de sua própria essência; transpõe-o na infinitude de entes que o sufocam. Perde-se a essência, querido leitor. Perde-se a verdade. Que servem os significados que lhe são alheios? Postos ao vosso redor, sucumbirão à vossa ira! O ser necessita da verdade… não dos significados. Mas, bah. Escrevas com o sangue da dor, caro leitor, e estarás a escrever sempre com vossa verdadeira natureza. As mãos clamam o fim da angústia; os pequenos pensamentos em aforismas hão de ser descartados em favor de um retorno dialético à prosa em si.


Como sereis conciso ao mesmo tempo que permites a existência de um ‘campo’ de sentidos existir junto a si? Não haverá modo de determinar tal fato, ou permitir que seja apresentada uma resposta. A extensão do pensamento indica um aprofundamento, um certo tipo de paciência em digerir cada frase, cada pensamento. É, decididamente, o fim da angústia e da ansiedade [pelo passado] que permite a criação. Como pensar, se o que é apresentado na abertura se faz na forma de um puro e indestrutível terror? Apenas em rasas frases, amigo, no sentido de curtas e desprovidas de um dado desenvolvimento inteligível… Mas escrever enquanto se é afogado na angústia é, deveras, prazeroso. A dor e o prazer adoram a si mesmas.


O pervertido assume a posição de amigo – do mais perfeito amigo: sua missão, delegada por si à si mesmo, é servir sua condição egótica. Ah, mas com o intuito de aterrorizar o outro. A amizade é apenas sua ferramente para ‘servir’ seu amigo de forma escatológica. Plena destruição. Objetivo de reassegurar sua pretensão à um tipo de reflexiva inferioridade, que pode ser apenas alcançada pelo uso explícito da mentira desconexa. O iludido pensa iludir os outros. Seu ódio pelo que se abre ao ser, pela essência da verdade, é seu combustível. O ‘bom’ e ‘belo’, para este indivíduo em questão, é vossa morte; sua vida, resume-se em fingir morrer. Pretende-se a vida para re-encenar a morte. Farsa em última instância, poesia ulterior. O poeta invoca a fervura do sangue, meu caro.  Este enuncia suas próprias palavras como sendo a reprodução divina do logos; mas mesmo assim, corrompe-as com suas relativas desconstruções deslocalizadas. Consciente disto, ele continua! Um ser-para-a-morte? Não. O poeta é um narcisista – um amante de si, que negativamente reafirma sua própria condição, evidentemente superiora, através do enforcamento da essência… do significado.

Saudade

For what purpose, then, do I make a man my friend? In order to have someone for whom I may die, whom I may follow into exile, against whose death I may stake my own life, and pay the pledge, too. [1]

Dois corpos e uma só alma, diria Aristóteles. Amizade, em última instância, implica na completude do ser em sua mais íntima importuna mediocridade. Aquilo que permite a ele ser aquilo que ele realmente é. Amizade: leva-te à verdade, traz-lhe à realidade. Faz-se o todo com uma plenitude do processo do devir, do deixar-de-ser. Embate dos corpos que não faz-se como tal: se luta pela vida.  Mas a perda… a perda do amigo é a perda de si mesmo. Perder sua alma; morrer mas continuar a existir. Esvaziado de si mesmo. Finjas viver, faz-te morrer! A derradeira prova da amizade: sobreviver enquanto morto.


Amigo, incorrespondente, sempre-lhe é. Fechais os caminhos e as portas a si mesmo. Percebe-se que nos mais precisos momentos em que se é, a recordação permanece como uma forma de envenenamento. É impossível resistir à angústia, caro leitor. Pensas que sou um idiota, alguém cheio de si mesmo. O subsolo triunfa sobre o homem, sempre. Vazio permanece-se. Esta angústia provocada pela amizade se encontra em um terreno destruído. Sim. O que resta é a saudade enquanto tal… da proximidade de tua amizade.  Amizade – amor. Amor que cresce lentamente, nos campos do estar-aí. Fértil, este o é. Permeia a vida como espectro – da morte. Que nos resta? Sofrer a dor. Pretende-se à verdade, de forma enganadora. “Honestidade” ante o outro reflete a decadência da moral. Seja em sinal que o uno está a se desfazer… mas como o refazer? Em seu lugar, desistir da verdade, da amizade? O sangue morto lhe move, astuto leitor, em um ultimato: o ato existencial derradeiro seria o de ativamente assegurar que a essência da verdade do meu ente seja captada completamente.


Mas não se pode negar, senhores, como a amizade é um pilar para a continuidade da vivência. Por amigo, recordemos: aquele que não é somente para-si mas para, propriamente, o outro! E aqui resta a nossa condição. Premeditados pela dor, sejais teu próprio fruto. A árvore do sofrimento provê seus frutos; aqueles que assim os consomem, banham-se e aceitam sua mortandade. Ainda assim, podemos nos exaurir com estas palavras frias e vazias. Tateias no escuro em busca do significado. As sombras se fazem mecanicamente. Leia as cartas dos que cessaram de ser por suas próprias decisões. Percebo o quão inferior são as minhas palavras. “Saio da vida para entrar na história!”, o nada do deixar-de-ser deve apenas aperceber o quão sua memória está; lembra-te dos que deixou para trás e os liberta do sofrimento e da dor. Esta é uma decepção aterrorizante.

Honrar aos outros, Daniel, é lembrar da amizade.


  1. Seneca. Moral letters to Lucilius. Letter 9 (On Philosophy and Friendship),  §10.

Ironia.

Most men ebb and flow in wretchedness between the fear of death and the hardships of life; they are unwilling to live, and yet they do not know how to die. [1]

Como enfrentar com aquilo que fere a forma? Da essência, eres atacado abertamente. Permites apenas a consolidação da raiva. A velha raiva destitui a forma. Vazia de si mesmo. Um escudo permite uma eterna composição e re-posição; permite a absorção dos ataques. Aparenta-se em um leve “ignorar”, entretanto, apenas permite um ferimento prologando e aprofundado que lentamente lhe consome. A força absorvida é potência. Constrói-se um fluxo: acumulação. De contra-ataques, a ironia lhe permite… dissimular! Pois veja que, enquanto lidamos com esta condição, a ironia é senão a arte de iludir. Não apenas de ti mesmo. O preciso ponto que delineia seu uso é de transpor uma incongruência do próprio ser ao seu discurso. Falai-te, mas dissimule.


Toda a potência se esgota na ironia. Ansiedade perante a angústia. Construídas para um ataque defensivo, mas letal. Sua função é brevemente estabelecida, e de mesmo modo, brevemente dês-estabelecida. O ser-irônico vê sua existência cheia de ignorâncias; o ser-irônico desloca suas impossibilidades à um escudo. Deflete-se o fracasso do conhecer. Um escudo pode se tornar boa opção. O tempo é seu inimigo. Des-uso mundano é seu temor. Uma distância, talvez segura, ele proporciona. A ironia também: sua função é a do “afastar”. A distância segura é imanente da aproximação. Quanto menor, esta distância, mais incisivos são os ataques. Nocividade é, senão, um temor de toda existência. Por si mesma, a ironia se torna a perfeita válvula de escape: ferramente essencial para o deixar-de-existir.


Entretanto, como podes usar um escudo feito através da raiva? A substituição da ironia, a defensiva dissimulação, pela ofensiva raiva é o próximo passo tomado sob tais condições. As distâncias são encurtadas efetivamente; os ataques, previamente interrompidos. Posicionamento do escudo é a grande destreza da defesa, sem este a ironia se corrói através da raiva, sendo esmagada. Talvez então o ponto seja que a ironia nunca pode ser simplesmente ironia. Esta sempre toma por acompanhantes outras demasiadas condições. Age reflexivamente. Ou em outras palavras: re-age. Passivamente estabelece-se como ferramenta e arte. Mas é frágil. A ansiedade que acompanha a existência implica em desvelar o ser: a ansiedade é a única emoção que não é passível de dissimulação. As falsas razões são facilmente fragmentadas… pela raiva. Mas, no final, o que não é? Parece, então, uma incongruência; torna-se ironicamente nada.


  1. Seneca. Moral letters to Lucilius. Letter 4 (On the Terrors of Death), §5.

An.gús.ti.a

Mil memórias, do passado, derramam-se de uma vez no vazio da existência. É impossibilidade  do mais; divagando na mente e exclamando-se sobre levianas ações. Transformada em fantasma que corrói o presente e invoca um desastroso futuro – um sacrifício temporal. Controlá-la? Ironia, convenha-se. Afastar-se da angústia fazendo uso da mais sublime ironia…um inverno. Ser atacado, sim. Mas contra-atacar também: no coração. Coloca-se uma vontade ao que está bem; ela faz (ou tenta, por assim dizer) levar-nos ao topo do abismo. A fuga, da escuridão e do desconhecido, é o que propicia o sentimento. Terror plausível de silêncio.


Mas estar no topo, bem, permite ao ser acabar com seu sofrimento… Do mais alto ponto, a queda é essencialmente precisa e definitiva. Eis que o ponto crucial é a raiva. Raiva; sentimento violento que perdura e preenche o todo. Utilidade sua é de ser direcionada ao próprio ser – quantas frustrações, quantos medos? Inimigos. Poderosa, permite ao que está morto destruir o que resta de si pairando em vida. Reconstruí-se a vida, eis que. Seu excesso sempre se voltará ao vosso portador. Entretanto, este pode ser utilizado artimanhosamente. É na constante mudança da forma, que o conteúdo em si se faz camuflado: imperceptível. Toma-se um homem e o transforma em destruição. A raiva deve ser considerada de tempos em tempos – como se regasse a árvore de sua existência. Liberada esporadicamente, impedindo o transbordamento do vazio.


ser presencia temporalmente – lê-se, de verões em verões – o desvelar do significado primordial do deixar-de-existir. Nos cemitérios, ou nos hospitais, os olhos atentos percebem a passagem que circundam-nos e, olhando a estes próprios seres, indaga sua presença em locais inócuos… A passagem, a virada,  o devir: coloca por detrás, no interior do real movimento que nos re-leva, a significância da presença. O desvelar é traumático, meu caro leitor. Des-velar. Perante a morte, a senhora dos vivos. Pois aqui se apresente um morto, que por impertinência, permanece em preâmbulos da noite em busca de algo. Este, sim, é o verdadeiro liberto.

“Melhor sentir a dor e sofrê-la do que apreciá-la e aceitar o fim.”, diz-lhe. O vivo, em presentes verões, remete-se ao morto; a raiva ressente os verões desperdiçados. No fim, é a raiva a substância que permite ao morto viver por si. E somente por si, digladiando-se entre existir-aí e o deixar-de-existir.