1. “Critique to a Dualistic Reason: the platypus”, Francisco de Oliveira

This series will attain itself in the translation of Francisco de Oliveira’s “Critique to a Dualistic Reason: the platypus”. It will be used, for the translation, the 4th reprint of the author’s work (OLIVEIRA, Francisco de. Crítica à razão dualista: o ornitorrinco. São Paulo: Boitempo, 2013, primeira edição, quarta reimpressão). Notes from the translator will be identified with “T. N.” (translator’s note).

V. S. Quintas


This essay was written as an attempt to answer the interdisciplinary questions drafted by CEBRAP [Brazilian Center for Analysis and Planning] regarding the socioeconomic expansion of capitalism within Brazil. CEBRAP’s endowment for such a peculiar intellectual environment of discussion, favored the author’s endeavor. The author is thankful for the criticisms and suggestions from his colleagues, particularly José Arthur Giannotti, Fernando Henrique Cardoso, Octavio Ianni, Paul Singer, Francisco Weffort, Juarez Brandão Lopez, Boris Fausto, Fábio Munhoz and Regis Andrade, as well as Caio Prado Jr. and Gabriel Bolaffi, who participated in seminars about the text. Any fault or error found in this document cannot be attributed to any of them, evidently.

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Imperialismos

1. “Imperialismo: fase superior do capitalismo”, Vladimir Lenin.

Em seu texto, Lenin busca <<decifrar>> as básicas fundamentações de um período de desenvolvimento do capital (e do capitalismo por si), que mescla em sua condição um assentamento geral da classe dominante e uma surgente inquietação nas classes exploradas. Decifrar como as condições do desenvolvimento do capitalismo se faz em um momento que a mundialização extensiva das forças produtivas, das relações sociais, dos meios políticos capitalistas se faz uma regra posta em prática, é o objetivo do texto.

Esta mundialização do capital é dada em uma etapa do capitalismo chamada de Imperialismo. Pode ser caracterizada através de uma cadeia hierárquica que retroativamente determina uma a outra categoria descrita.

A mundialização em si é uma característica intrínseca ao capitalismo, porém sua forma decorrente se faria uma nova mutação das forças exploradoras em delinear sua hegemonia. Em via de regra, podemos caracterizar a mundialização desta forma:

  1. Concentração e centralização de capitais, implicando na formação de monopólios e oligopólios;
  2. Fusão do capital produtivo (industrial) com o bancário, e vice-versa, constituindo o capital financeiro;
  3. Aumento da importância das “exportações de capitais” (IED e empréstimos internacionais), em oposição ao comércio tradicional.

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Aristóteles e o Mundo Antigo│Agnes Heller

 physis-thésis

Atenas fazia-se em uma comunidade que se autoafirmava como Estado. Este Estado, essencialmente, interliga-se e se inter-relaciona explicitamente à religiosidade dos gregos antigos. Os deuses, as entidades, os rituais religiosos – todos possuíam um caráter coletivo representativo da moral (a posição do indivíduo perante os interesses e valores coletivos) que implica no modo correto, grego, de agir e perpetuar a sobrevivência destes rituais, das entidades, da moral, da comunidade… do Estado.

Entretanto, os sofistas representam exatamente o início da dissolução de uma interconectividade direta entre os indivíduos (e seus interesses particulares) e a comunidade (e, também, seus interesses). Eles eram, geralmente, indivíduos estrangeiros que exerciam a profissão de educadores, onde famílias de cidadãos atenienses os contratariam para educar seus filhos, pagando-os precisamente por tal função. Aqui é que se nota o aspecto funcional representado pelo sofista: o afastamento dos indivíduos de suas comunidades; é, deveras, produto de um intenso processo de desenvolvimento da individualização dos indivíduos, que passam a se excluírem dos processos coletivos por defesa explícita de seus interesses particulares.

Seu ateísmo é um ateísmo prático.

Em que sentido? Precisamente no de rejeitar um ordem externa divinamente estabelecida, responsável por delinear o destino intrínseco dos indivíduos no interior da comunidade. Tornava, por consequência, o ser responsável de si – através de sua própria atuação individual no mundo. Os sofistas passaram a serem prostrados, perante o Estado ateniense por exemplo, como mercenários que possuíam o objetivo de rejeitar os interesses coletivos, através de ataques de caráter jurídico-político à moral/ética social.

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